Em Nossa Memória

Uma história de amor interrompida por uma tragédia. Eu fui condenado injustamente e Priscylla não merece ser lembrada como vítima de um crime que não aconteceu.

Atenção! O texto abaixo pode conter gatilhos emocionais.

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Introdução

Um monstro. Um assassino frio, um feminicida. Foi assim que fui descrito pela imprensa nos últimos anos. Fui condenado na primeira manchete de jornal e sigo condenado até hoje, desta vez pelo tribunal do júri. Condenado a mais de 18 anos de prisão pela morte de minha esposa. Condenado por um crime que não cometi. Condenado mesmo com provas que demonstram diversos erros do Estado e o fato de que não fui autor de um crime impossível.

Há mais de 7 anos, minha vida virou de cabeça para baixo quando fui acusado de tirar a vida da pessoa que eu mais amava, Priscylla. Injustamente condenado, luto até hoje para provar minha inocência. Esta página conta nossa história, detalha os erros cometidos pelo Estado e os obstáculos que enfrento em minha busca por justiça.

Não quero convencer você, leitor, do que aconteceu. Não pretendo ser visto como vítima, porque não o sou. Minha luta é por um julgamento imparcial, por uma Justiça justa. Tenho a verdade ao meu lado e estarei em sua companhia até o meu último suspiro. Preciso registrar que não tenho mágoas e que sou grato a Deus por tudo, por toda a sustentação que Ele tem me dado até aqui. Deus, minha família, meus amigos e a crença na vida eterna, hoje, me sustentam.

Deixo aqui um alerta: um dia eu acreditei que as armas de fogo eram objetos essenciais para a segurança da minha família. Acreditei que todo cidadão deveria ser livre para ter acesso e para manter uma arma em sua residência. Disseminei essas ideias, ensinei minha esposa a manusear nossas armas e deixei à disposição o meio mais letal que ela poderia ter utilizado. Não que ela não pudesse ter chegado ao mesmo desfeixo de outra maneira, mas certamente a arma de fogo reduziu drasticamente a minha possibilidade de socorrê-la e não permitiu que Priscylla tivesse uma segunda chance. Os riscos associados em manter uma arma de fogo dentro de casa superam em muito os supostos benefícios defendidos por alguns.

Nossa História

Nossa jornada começou como a de qualquer outro casal, mas logo se tornou uma jornada cheia de sonhos compartilhados, conquistas e desafios. A vida nos trouxe momentos de felicidade, mas também de luta. De estudantes a profissionais, de namorados a casados, seguimos lado a lado, compartilhando toda conquista, superando cada desafio e construindo um futuro. Éramos cúmplices, companheiros em tudo. Nossos amigos eram os mesmos, nossas atividades eram em comum. Porém, em 2016, tudo o que planejamos e sonhamos foi interrompido por uma tragédia inesperada.

Navegue pela linha do tempo abaixo para conhecer os principais momentos de nossa vida juntos, nossos marcos mais felizes e o dia em que nossa história mudou para sempre. Descubra como a tragédia nos atingiu e como o caminho da justiça foi marcado por erros e injustiças pelo implacável peso do Estado sobre um cidadão comum.

2001

Início do namoro

Começamos nossa jornada juntos. Nos conhecíamos desde 2000, mas começamos mesmo a namorar em janeiro de 2001. Éramos bem jovens. Eu completaria 15 anos em fevereiro e ela faria 20 em maio. Não tivemos aprovação imediata de seus pais, talvez por conta da diferença de idade, mas algum tempo depois eu já era muito bem recebido por eles.

Priscylla começa a graduação

Pris inicia o curso de Nutrição.

2004

Eu começo minha graduação

Enquanto ela avançava em Nutrição, eu começava a estudar Ciência da Computação.

2006

Formatura de Priscylla em Nutrição

Priscylla se forma e começa sua carreira como nutricionista em maternidades e postos de saúde.

2007

Fundação da Associação

Juntos, ajudamos a fundar uma associação que se tornaria um ponto importante em nossas vidas.

2008

Minha formatura

Concluo minha graduação e inicio minha carreira em uma grande empresa local.

2010

Noivado

Ficamos noivos na virada do ano.

Cirurgia

Pris passou por uma cirurgia de endometriose. Ela sentia muitas dores e chegava a ficar acamada por conta das fortes cólicas.

Casamento

Casamos em setembro e começamos uma nova etapa juntos, em nossa casa.

2011

Mudança de profissão

Pris decide mudar de profissão e inicia a graduação em Sistemas de Informação.

Abertura de empresa

O pai de Priscylla enfrenta algumas dificuldades. Ela abre uma empresa em seu nome e passa a trabalhar com ele por alguns meses.

2014

Trabalho em dobro

Dou início à minha carreira acadêmica, lecionando em cursos de Computação em uma universidade local.

Primeiro estágio

Pris começa seu primeiro estágio na área da Computação.

Home office

Depois de 6 anos, troco de local de trabalho e passo a trabalhar remotamente para uma empresa sediada no Rio de Janeiro.

2015

Segundo estágio

Priscylla acumula estágios em duas ótimas empresas. Seu curso está próximo ao fim.

Clube de tiro

Começo a frequentar um clube de tiro e Priscylla passa a me acompanhar, disputando, inclusive, algumas etapas de campeonatos.

Nova graduação

Pris conclui a graduação em Sistema de Informação sendo a aluna com as melhores notas em seu curso e encerra assim os estágios.

2016

Emprego novo

Priscylla começa a trabalhar em uma grande empresa local na sua nova área.

Fim de semestre

O primeiro semestre de aulas na universidade acabou, mais corrido do que os anteriores. Precisei logo viajar ao Rio de Janeiro a trabalho para atender um cliente. Aqueles eram os nossos últimos dias.

Noite sem fim

18 de julho de 2016. Nada e nem ninguém poderá apagar de minha memória as terríveis lembranças daquelas horas. Eu a perdi. A sensação física, os reflexos mentais do horror, da impotência e da dor da saudade serão sempre infinitamente maiores do que a indignação pela injustiça que se sucedeu. Sou consumido pela vergonha de não ter podido, de não ter sido, de não ter feito mais por ela. Não fui suficiente. Ninguém foi. A dor, seja qual for a que ela estava sentido naquela noite, era maior que tudo e ela se foi.

Prisão injusta

Fui preso, acusado de feminicídio. Exibido para a imprensa, pintado como um monstro.

2017

Liberdade provisória

1 ano, 2 meses e 10 dias depois daquela noite, fui solto.

Inventário

Apesar de não termos tantos bens, o inventário de Priscylla precisava ter sido aberto e isso não tinha sido feito. Dei entrada quando saí da prisão.

2019

Dívidas

Ao obter documentos em resposta ao juízo do processo do inventário, encontro diversas dívidas em nome da empresa que Priscylla tinha aberto para o pai. Várias anteriores à data de sua morte. Muitas já associadas ao seu CPF.

2023

Condenação

Injustiça confirmada, sou condenado pelo júri a 16 anos de prisão. Vou dali direto para um Presídio onde permaneço por pouco mais de 40 dias. Um Habeas Corpus devolveu minha liberdade. Até quando eu poderia estar ao lado da minha família?

2024

Condenação confirmada

O Tribunal de Justiça da Paraíba confirma e ainda aumenta a pena para além de 18 anos. Uma nova prisão, por algo que eu jamais poderia cometer, se aproxima.

Por que Fui Acusado?

Fui acusado de tirar a vida de alguém que amava profundamente, mas essa acusação é fruto de uma investigação repleta de falhas, erros de perícia e interpretações tendenciosas. Provas foram ignoradas, e fatores cruciais foram deixados de lado, resultando em uma narrativa distorcida dos acontecimentos. O Estado cometeu graves erros ao conduzir o processo, e essas falhas me levaram a uma condenação injusta. A verdade foi ignorada, e agora, busco expor cada erro para que a justiça prevaleça.

Preciso de Ajuda

Minha luta vai além da minha liberdade. O que está em jogo é a verdade, a memória de Priscylla e a justiça. Cada dia que passa, Priscylla é lembrada como vítima de algo que não aconteceu e infla uma estatística a qual ela não pertence. Pris era uma mulher forte, inteligente, determinada, independente e dona das próprias decisões. Ela jamais aceitaria uma relação tóxica. Ela não sofreria a violência que o Estado a imputou. Eu não seria capaz de machucá-la! A injustiça que me condenou não afeta apenas a mim, mas também mancha o legado de alguém que eu amava profundamente. Luto por ela, luto por mim, luto pela minha família e para que o Estado enxergue os erros cometidos. Contudo, essa luta não é fácil, e eu não posso continuar sozinho. Preciso de visibilidade. Preciso que juristas, peritos e profissionais de áreas relacionadas tenham interesse em analisar os documentos que coloco aqui. Se você puder, por gentileza, compartilhe essa história.